Archive for March, 2008

12 de março, nascimento do grande divisor de águas

Wednesday, March 12th, 2008
Há exatos 86 anos nascia em Lowell, Massachusetts, Jean Lebris Kerouac. Mais tarde conhecido como JACK KEROUAC. Descendente de família franco-canadense, Kerouac só começou a usar o inglês aos seis anos de idade. Ainda muito novo perdeu o irmão mais velho que, na ocasião, tinha apenas 10 anos. O fato o marcou deveras e esteve sutilmente presente nas páginas de seus livros, inclusive em ON THE ROAD, maior clássico do escritor e dito como bíblia da juventude americana nos fins dos anos 50 e principalmente na década seguinte.
Bem apessoado e inteligente, Jack Kerouac se tornou autor célebre e personalidade mundialmente admirada, ao propor uma escrita em prosa expontânea dos eventos vividos por ele e seu bando de amigos conhecidos como beatniks. Não impunha barreiras às mãos na transposição de seus pensamentos ao papel e tratava de assuntos que só seriam relevantes à cultura ocidental cerca de anos depois, no período conhecido como pós-modernidade. Vida transviada, uso de drogas, relacionamentos homossexuais, poligâmicos, juventude em trânsito, viagens sem rumo, absorção e paixão pelas artes, pela música e pelo cinema, todos estes eram temas usuais em seus livros, que claramente relatavam as próprias experiências vividas por Kerouac nos 40 e 50.
Em sua juventude, morou em Nova York e lá conheceu futuros artistas que seriam bastante influentes na contra-cultura americana nas décadas seguintes. Entre eles, Allen Ginsberg, poeta conhecido por seu incorfomismo e pela luta pelos direitos cívis e das minorias. A amizade dos dois também foi relatada em vários de seus livros. Em On the road, Ginsberg era Carlo Marx, um dos companheiros de Kerouac em suas viagens pelos Estados Unidos. Outros dois grandes amigos do autor também estavam nas obras. Dean Moriarty e Old Bull Lee, na verdade, Neal Cassady e William Burroughs, respectivamente, foram protagonistas de suas histórias e de boa parte de sua vida real.
On the road serviu de estímulo para vários movimentos libertários e foi responsável indiretamente pelo surgimento de vários artistas, inclusive o cantor Bob Dylan que afirmou ter fugido de caso por influência de Sal Paradise (o próprio Kerouac na obra) e sua turma de vagabundos iluminados. Em uma rápida analogia, podemos dizer que o termo Beat, gravado na história pelo próprio Jack, parece ter influenciado John, Paul e companhia na criação do nome The beatles. Quando cunhou tal expressão, Kerouac se referia a sua própria geração (Beat) e a maneira como encaravam a vida e a liberdade. Assim, chegou a dizer que a palavra se referia a beatificado, significado este, em relação às suas vivências místicas e religiosas.
Sua primeira obra lançada foi The town and the city, em 1950 e teve boa recepção. Entretanto, 7 anos depois com o edição de On the Road Kerouac passou a ser respeitado e aclamado. Todavia, sua vida dedicada às bebidas e ao mundo underground acabou criando muitas cisões em seus relacionamentos. Nos anos 60, acabou por recriminar aqueles que usaram seus livros como estímulo à criação do movimento hippie. Assim, se afastou de grandes amigos e teve momentos infelizes que o levaram a um sério isolamento. Em 1969, morreu em Pitsburgh, Flórida, aos 47 anos ao lado da mãe e da esposa.

Salve Kerouac, o beatificado!

alt : http://www.youtube.com/v/EQoDA62NVG0&hl=en

Quem são vocês, oh homens?!

Thursday, March 6th, 2008
A libertação tecnológica proporcionada pelo capitalismo do fim do século XX nos trouxe de volta os deuses do Olimpo. Mas dessa vez, a população de divindades aumentou consideravelmente e os requisitos básicos para ser considerado um ser supremo não está mais relacionado à natureza ou à natividade. Há sim, um deus que regula quem entra pelas colunas sagradas, mas essa entidade não se preocupa muito com seus subalternos, pelo contrário, em seu caráter megalomaníaco todos podem até conseguir um lugar ao sol, mas sem qualquer previsão de quanto tempo a luz estará sobre eles.
Muitos foram aqueles que vieram e se estenderam sobre o monte e ali permaneceram. Outros tantos que alcançaram o topo, sucumbiram nos mais diversos modos e prazos. A queda não significa mais uma ausência, pelo contrário, é ela também motivo de permanência por aquelas estâncias. E claro, muito dos que caíram, com o tempo acabaram sendo elevados pelas gerações seguintes, servindo de modelo como anti-heróis ou mesmo, revolucionários.
A entidade que regula e talvez hoje seja a Lei daquilo que se chama massa é Mídia, a filha mais moça de Lúcifer. Num mundo onde ninguém consegue mais dizer qual é a verdade, é ela quem diz quem pode ou quem não pode, quem tem ou quem não tem poder.
O que isso tem de relevante? O simbolismo, o munto mítico dos olimpianos pós-modernos que despencam a cada esquina.
Nossa relação com a natureza é bastante determinada por nossas referências e hoje vivemos um tumultuado jogo de inúmeras referências que em sua maioria são vazias e se comportam eferemente. Muitas mentes estão pugladas em três ordens do dia: consumo, fama e poder. Essas três fantasias são rapidamente conectadas ao binômio dinheiro-sexo, onde a paridade humano-animal se juntam rapidamente. Se o sexo é algo natural e comum em todo a natureza, o dinheiro tem a ver com a racionalização da humanidade, uma criação humana para se controlar o seu extrativismo. Ser famoso é ter poder de consumo, é ter poder de voz, é poder (em tese) trepar à vontade, com quem queira se sujeitar a esse poder, a essa fama. Os ídolos que ocupam o olimpo pós-moderno não passam de imagens e sombras que arrastam multidões ao precipício da existência, não nos deixando descobrir a verdade que reside em cada um de nós.

alt : http://www.youtube.com/v/IL6KoX00wng