E assim, teve uma época em que uma dessas minhas personalidades parece ter tomado controle de boa parte de meus desejos. Deram-lhe até nome, “fubangu”, corrigido mais tarde para o português correto como “fubango”. Mas tudo bem. Não é raro alguém me perguntar se eu tive algum apelido no tempo da faculdade ou mesmo, antes. Quando menciono a senha a pessoa fala “Isso, é isso mesmo. Fulano de tal te conhece dessa época”. O fundamental disso tudo é que a gente muda e se transforma em algo melhor do que era antes. Não que o fubango fosse algo tenebroso, ele era exêntrico e imaturo, mas é bem provável que quando a memória me trouxer histórias interessantes, esse personagem vai estar lá apimentando e enlouquecendo o enredo das versões.
Hoje, não muito mais velho do que naquela época, pareço mais com a antítese desse tal fubango, mas nem por isso me livrei totalmente de seu feitiço. Às vezes recorro ao seu espírito ‘quanto pior, melhor’ ou então sua forte franca, sincera e sem noção de expressar sua necessidade de aparecer e ser notado. Ele foi o responsável pelo meu nascimento e renascimento digital. Em 2000, quando finalmente pude entrar na internet em casa, criei esse nick para me diferenciar. Da mesma forma, um ano depois construí um site www.jaunfubangu.hpg.com.br que durou uns cinco anos até ser sumariamente apagado por alguém que não eu. O seu conteúdo era um rascunho da minha luta interna, pois ao mesmo tempo em que tocava nos assuntos que me deixava revoltado, também refletia meu momento mental através de um layout exagerado e bastante confuso. Uns três anos depois de criado, o HPG (home page grátis), por ironia começou a cobrar pelo serviço. Tanto eu quanto o fubango concordamos num ponto em comum: A internet é gratuita, pode-se ganhar dinheiro com os acessos, não com o conteúdo. Por isso, não me preocupei quando eles travaram a minha senha. Anos mais tarde, na primeira onda de blogs, quando já estava em uma onda mais paranóica criei o www.fubangu.weblogger.com.br que durou até o fim de 2006 ou meados de 2007. Na verdade, quando me desfiz desse canal foi como enterrar um ente, o tal fubango. Havia nele algo um pouco doentio demais e preferi me livrar dessa alcunha, afinal estava me preparando para ser pai de uma garotinha e já era marido de uma mulher séria. Simbolicamente enterrei o fubango com uma das mais estranhas histórias vividas por ele e que um dia me atreverei a contar novamente. Hoje, finalmente, pude encontrar um caminho sem que precise de alcunhas, mas acho que minha experiência fubangulística poderá e muito acrescentar em meus escritos futuros.
Apesar de tudo, o fubango sempre foi um apaixonado pelo mistério da vida e por isso, quis ir com muita sede ao pote. O bom dessa história toda é que hoje eu consigo me diferenciar de sua ansiedade e exagero. Espero poder reverenciá-lo da forma como gostaria que fosse: com muito drama, exentricidade e verdades indigestas.
Confira abaixo algo que estava em minha mente quando ela era divida com o fubango:
